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DPMG lança Escola de Masculinidades para adolescentes em parceria com a Sejusp 

Iniciativa reúne jovens de 13 a 21 anos em encontros voltados à escuta, à responsabilização e à construção de relações não violentas 

A Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG) lançou, nessa segunda-feira (22/6), a Escola de Masculinidades voltada a adolescentes e jovens de 13 a 21 anos. Realizada em parceria com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), a iniciativa amplia a atuação preventiva da Defensoria mineira, com foco em escuta qualificada, igualdade de gênero, responsabilização e construção de relações não violentas. 

O curso terá dez encontros e reunirá até 20 participantes. Parte do grupo será formada por adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de semiliberdade, encaminhados por órgãos vinculados à Sejusp, e outra parte por jovens da Assprom inscritos voluntariamente. 

Mesa de abertura do evento – Fotos: Bryan Carvalho/DPMG 

Abertura 

Na abertura, a subdefensora pública-geral Administrativa, Karina Rodrigues Maldonado, destacou a satisfação da Instituição com a presença dos participantes e com a parceria construída para a realização da Escola de Masculinidades para Adolescentes. Ela reforçou o compromisso da Defensoria Pública com ações preventivas, espaços seguros de escuta e processos formativos voltados à cidadania e à igualdade de gênero. “Contem com a Defensoria Pública e com o nosso compromisso nesse trabalho de formação, escuta e cidadania”, afirmou. 

Subdefensora pública-geral Administrativa, Karina Rodrigues Maldonado 

A coordenadora Estratégica de Promoção e Defesa dos Direitos das Crianças e Adolescentes (CEDEDICA), defensora pública Daniele Bellettato Nesrala, contextualizou o lançamento como um desdobramento das ações desenvolvidas pela DPMG desde 2023, especialmente no campo da educação em direitos, dos grupos reflexivos e da prevenção de violências. 

Segundo Daniele Bellettato, a experiência iniciada com a Escola de Convivência Familiar demonstrou a importância de criar espaços de escuta, responsabilização e ressignificação de condutas, especialmente em contextos marcados por vulnerabilidades, conflitos familiares e relações continuadas de convivência. “A Escola de Masculinidades para Adolescentes nasce da compreensão de que existem outras maneiras de conviver em sociedade, sem reproduzir ciclos de violência, e de que a educação em direitos pode contribuir para famílias e comunidades mais harmoniosas”, ressaltou. 

Coordenadora da CEDEDICA, defensora pública Daniele Bellettato Nesrala

A defensora pública Paula Regina Fonte Boa Pinto apresentou a metodologia da iniciativa. Os encontros serão voluntários, organizados em dez ciclos e conduzidos com práticas restaurativas e círculos de construção de paz, favorecendo o diálogo sobre relações saudáveis, comunicação não violenta, responsabilização, papéis de gênero e formas de expressão dos sentimentos. 

De acordo com Paula Regina, a proposta não é julgar ou punir condutas individuais, mas abrir novas perspectivas e oferecer ferramentas para que os adolescentes construam vínculos mais respeitosos. “O propósito da Escola de Masculinidades não é culpar ou punir, mas criar um espaço de escuta e reflexão para que cada participante possa ressignificar pontos de vista e perceber que existem outras formas de se relacionar”, declarou. 

Defensora pública Paula Regina Fonte Boa Pinto

Participações 

Representando a Sejusp, a subsecretária de Atendimento Socioeducativo, Giselle da Silva Cirilo, destacou que a parceria com a DPMG resulta de uma articulação institucional construída ao longo do tempo e reforça a atuação integrada em prol da garantia de direitos. 

“Acreditamos que a responsabilização do adolescente passa também por processos de reflexão sobre identidade, cidadania, relações interpessoais e projeto de vida. Esse projeto qualifica o atendimento socioeducativo ao oferecer espaços de escuta e reflexão que contribuem para o desenvolvimento pessoal e para a construção de novas perspectivas para esses jovens”, afirmou. 

Subsecretária de Atendimento Socioeducativo da Sejusp, Giselle da Silva Cirilo

A subsecretária de Prevenção Social à Criminalidade da Sejusp, Christiana Dornas, ressaltou a importância de levar o debate sobre masculinidades aos territórios atendidos pelas políticas de prevenção à criminalidade. Ela também destacou a participação dos jovens e o papel das equipes na mobilização para o projeto. 

“É muito importante que esse tema chegue aos territórios e aos jovens acompanhados pelas políticas de prevenção. Este é um espaço para dialogar sobre respeito, convivência e equidade, abordando questões que muitas vezes são difíceis, mas necessárias. Acreditamos que essas reflexões podem contribuir para a construção de relações mais saudáveis e para a prevenção das violências”, declarou. 

Subsecretária de Prevenção Social à Criminalidade da Sejusp, Christiana Dornas 

O juiz José Honório de Rezende, que representou a desembargadora Alice Birchal, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), destacou a importância de iniciativas voltadas à prevenção e ao fortalecimento dos vínculos sociais. Segundo ele, medidas de responsabilização são necessárias em determinadas situações, mas devem ser acompanhadas de políticas públicas que promovam desenvolvimento, inclusão e oportunidades. 

“O adolescente só consegue vivenciar um verdadeiro processo de transformação quando existe confiança. Mais do que medidas de contenção, precisamos investir em ações que promovam reflexão, pertencimento e construção de novos projetos de vida”, afirmou. 

Ao comentar o projeto, o magistrado ressaltou a relevância de incluir adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas em atividades que estimulem autoconhecimento e reflexão sobre relações pessoais e sociais. Ele também destacou o comprometimento dos profissionais da rede de proteção e do sistema socioeducativo. 

Juiz José Honório de Rezende do TJMG

A defensora pública Ana Paula Coutinho Canela e Souza, coordenadora da Defensoria Especializada na Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente – Ato Infracional, destacou a importância de espaços de diálogo para adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas. Segundo ela, a experiência da Defensoria no atendimento a crianças e adolescentes demonstra que o acolhimento é elemento essencial para a construção de trajetórias mais positivas. 

“Não há como alcançar os adolescentes sem o afeto. Precisamos criar espaços em que eles possam refletir sobre suas experiências, suas relações e seus projetos de vida. Acreditamos que esse diálogo tem potencial para gerar transformações reais”, disse. 

Defensora pública Ana Paula Coutinho Canela e Souza

Fechamento 

No encerramento, Daniele Bellettato destacou que a atuação da Defensoria Pública vai além da defesa jurídica e busca promover transformações efetivas na vida das pessoas atendidas. Para ela, iniciativas preventivas e educativas são fundamentais para fortalecer vínculos familiares e comunitários e ampliar as perspectivas dos adolescentes. 

“A Defensoria Pública tem como missão promover transformação social. Acreditamos que esse projeto tem potencial para contribuir com o desenvolvimento dos adolescentes, fortalecendo relações saudáveis e ampliando oportunidades para que construam trajetórias mais positivas”, concluiu. 


Isis Nogueira — Jornalista/DPMG e Kelly Guidotti, estagiária sob a supervisão da ASCOM
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