No Norte de Minas, Defensoria Pública celebra 50 anos e reafirma compromisso com a interiorização

A Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG) realizou, na quarta-feira, 5 de agosto, em Montes Claros, uma atividade da programação comemorativa pelos seus 50 anos: a palestra “Holocausto brasileiro: os desafios da saúde mental no Brasil”, ministrada pela jornalista, escritora e documentarista Daniela Arbex. O encontro ocorreu no Salão do Júri do Fórum Gonçalves Chaves e reuniu integrantes da Instituição, autoridades, convidados e público presencial e remoto.
A programação também incluiu homenagem a Dilson Antônio Marques, reconhecido por mais de quatro décadas de atuação junto ao sistema prisional, à Pastoral Carcerária, ao Conselho da Comunidade e a iniciativas sociais voltadas às pessoas privadas de liberdade e seus familiares em Montes Claros.

Na abertura, a defensora pública-geral Caroline Loureiro Goulart Teixeira afirmou que realizar a atividade em Montes Claros simboliza o compromisso da DPMG com o interior do estado. “É extremamente simbólico celebrarmos os 50 anos da nossa Instituição aqui em Montes Claros. Trazer um evento desta relevância, com a presença de uma profissional da grandeza de Daniela Arbex, da capital para o Norte, reafirma o propósito da Defensoria Pública de estar próxima das pessoas e presente onde a população precisa”, afirmou.
Caroline também ressaltou que a interiorização da gestão está diretamente ligada à ampliação do acesso à justiça. “Assumi o compromisso de valorizar o interior e tenho trabalhado diariamente, junto à minha equipe, para honrar essa promessa”, disse. Segundo ela, celebrar os 50 anos da Defensoria Pública do Estado é reafirmar a responsabilidade de dar visibilidade a pessoas historicamente invisibilizadas e fortalecer a atuação em todas as regiões de Minas Gerais.

Ao relacionar a trajetória de Daniela Arbex à missão constitucional da Defensoria Pública, Caroline destacou a convergência entre a palestra e a atuação institucional na defesa dos direitos humanos e no atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade. A presença de integrantes da Administração Superior, da Escola Superior, da Regional Norte e de unidades da região reforçou o caráter coletivo da celebração.
Na sequência, o coordenador local e da Regional Norte, José Cleber de Araújo Moreira, afirmou que a presença da Defensoria Pública no interior concretiza direitos. Ao associar a trajetória da Instituição às palavras servir, concretização e esperança, ele ressaltou que sua razão de existir é “servir a quem precisa, acolher a quem busca amparo, ouvir com atenção, orientar com clareza, defender com firmeza e estar presente justamente quando a pessoa mais necessita de proteção”.

O avanço da Instituição pelo estado também foi abordado por Silvana Lourenço Lobo, coordenadora da Escola Superior da DPMG. “A Defensoria Pública já está no Norte de Minas e nos mais variados rincões do estado. Hoje, estamos em 125 comarcas, mas, até 2034, estaremos em todas as comarcas de Minas Gerais”, afirmou.

Homenagem

A cerimônia também homenageou Dilson Antônio Marques. A defensora pública-geral destacou que o trabalho desenvolvido por ele, ao lado da esposa, Teresinha, no sistema carcerário e em projetos sociais, está alinhado aos valores da Defensoria Pública. “Parabéns pelo seu trabalho exemplar. Receba esta homenagem, com nossa profunda gratidão”, declarou.
Ao agradecer o reconhecimento, Dilson Antônio Marques recordou o início de sua atuação na Pastoral Carcerária, há 46 anos, e destacou a evolução do sistema de Justiça na região. Para ele, a Defensoria Pública é essencial para a população vulnerabilizada. “A alegria maior é saber que a Defensoria Pública está chegando cada vez mais no Norte de Minas e hoje temos uma noção da sua importância na região”, afirmou.

Memória, saúde mental e direitos humanos
Na palestra, Daniela Arbex conduziu uma reflexão sobre memória, exclusão, racismo, saúde mental e violações de direitos humanos a partir da história do Hospital Colônia, em Barbacena. Ao iniciar a palestra, a jornalista agradeceu o convite e apresentou o eixo central da exposição. “Estou muito honrada e muito agradecida pelo convite. Hoje eu vim aqui para contar uma história: a história da morte de 60 mil pessoas no maior hospício do Brasil”, afirmou.

Autora de obras de grande repercussão nacional, como Holocausto Brasileiro, Cova 312, Todo Dia a Mesma Noite e Arrastados, Daniela é reconhecida por reportagens investigativas sobre violações de direitos, silenciamento e ausência de reparação. Sua trajetória é marcada pela defesa da memória, da dignidade humana e da responsabilização social diante de tragédias coletivas.
Durante a exposição, Daniela apresentou documentos, imagens e relatos de sobreviventes para reconstruir a história do Hospital Colônia e dimensionar as violações cometidas contra pessoas pobres, negras, mulheres, crianças, militantes políticos e outros grupos socialmente indesejados à época. Ela lembrou que muitas vítimas não tinham diagnóstico de transtorno mental e foram institucionalizadas pela lógica da exclusão. “A maioria não sofria de doença mental. Todo tipo de indesejamento social era um candidato para ser mandado para o Colônia”, observou.
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