DPMG realiza Dia D da Operação Virtude e Ciclos de Aprimoramento voltados à população idosa
As pessoas idosas que passaram pela Unidade I da Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG), em Belo Horizonte, nesta quinta-feira (18/6), tiveram acesso a uma programação especialmente desenvolvida para elas. As diversas atividades da Operação Virtude integraram as ações do Junho Violeta, campanha nacional de conscientização e enfrentamento à violência contra a pessoa idosa.
Foi realizada uma edição dos “Ciclos de Aprimoramento sobre Envelhecimento e Direitos”, iniciativa da DPMG desenvolvida em parceria com a Associação Cuidadosa. Realizado mensalmente, o evento formativo busca promover a troca de experiências e conhecimentos na temática do envelhecimento, contribuindo para o fortalecimento da rede de proteção e garantia de direitos da população idosa.
Nesta edição o tema central foi o combate à violência contra esse segmento da população, suas formas de identificação, prevenção e enfrentamento.
Em paralelo, a Instituição sediou o Dia D da Operação Virtude 2026, iniciativa coordenada pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), voltada ao enfrentamento das diversas formas de violência contra a população idosa.


A atividades da Operação Virtude contaram com atendimento e orientação ao público prestados pela Defensoria Pública de Minas Gerais e pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG); emissão da Carteira Nacional de Identificação (CNI) pela Polícia Civil; e dicas de segurança e distribuição de materiais educativos de autoproteção pela Polícia Militar.
A coordenadora da Defensoria Especializada da Pessoa Idosa e da Pessoa com Deficiência, defensora pública Fernanda Fernandes, destacou a importância do Junho Violeta para a promoção dos direitos da pessoa idosa e para o enfrentamento das diversas formas de violência que afetam esse público. A defensora pública também ressaltou a realização do Dia D da Operação Virtude, sediado pela primeira vez na Defensoria Pública. “Estamos unidos para levar esse recado à população: não se sintam sozinhos. Nós estamos aqui e somos uma rede de proteção para vocês”, afirmou.

O superintendente de Integração e Planejamento Operacional da Sejusp, Bernado Naves, evidenciou que a Operação Virtude vai além das ações de fiscalização e investigação, reunindo iniciativas de conscientização e proteção voltadas à população idosa, com o objetivo de dar visibilidade a uma parcela da população que, muitas vezes, tem suas vulnerabilidades negligenciadas. “Quando o número de denúncias aumenta, isso também demonstra que a população está confiando nas instituições e querendo contribuir para enfrentar o problema”, frisou.
Depoimentos
José de Souza Oliveira, de 73 anos, procurou a Defensoria Pública em busca de orientação sobre uma disputa fundiária que afeta sua família há anos. Proprietário da Fazenda Gentileza, em Betim, ele contou que soube da ação na Rádio e decidiu comparecer ao evento para buscar apoio. José destacou a importância da iniciativa voltada à população idosa, especialmente para pessoas que enfrentam situações complexas e não sabem a quem recorrer. “É muito importante que a Defensoria Público realize esse tipo de atendimento para as pessoas mais velhas, porque muitas vezes a gente passa por problemas graves e não sabe o que fazer”, contou.
Já Elizabeth Salles, 75 anos, veio até à DPMG motivada pelas atividades dos Ciclos de Aprimoramento. Presidente da Comissão Local de Saúde de seu bairro e atuante em espaços de participação social na área da saúde, ela contou que foi convidada a participar das palestras para conhecer melhor os direitos da população idosa. Durante o evento, aproveitou também para buscar orientações relacionadas à emissão da nova carteira de identidade. “Eu vim pelas palestras, para me inteirar mais sobre os direitos dos idosos. Aproveitei também para resolver uma questão da identidade, e foi muito bom. O atendimento foi muito rápido, perfeito”, relatou.

Para Lucília Marin Moreira, de 71 anos, os encontros dos Ciclos de Aprimoramento têm ampliado sua compreensão sobre os desafios enfrentados pela população idosa. Ela que participa dos encontros desde o início do projeto, afirmou que as discussões promovidas pela Defensoria Pública têm despertado um olhar ainda mais atento para as situações de vulnerabilidade vividas por muitas pessoas idosas: “Os Ciclos de Aprimoramento têm me dado uma consciência de que nós, que estamos bem, precisamos ajudar. Estou tomando consciência do que existe hoje em dia e isso me motiva a fazer mais pelo próximo”.
Lucília também destacou que considera ter vivido um processo de envelhecimento positivo, resultado de planejamento e oportunidades construídas ao longo da vida, e acredita que essa experiência pode contribuir para outras pessoas. “Eu fui muito feliz na minha vida por chegar à idade que tenho e nas condições que tenho hoje. Por isso, sinto que preciso atuar mais e ajudar mais. Tenho participado de todos os ciclos porque acredito que eles nos fazem refletir e agir”, acrescentou.
Ciclos de Aprimoramento
Os Ciclos de Aprimoramento é um projeto da Defensoria Pública em parceria com a Associação Cuidadosa voltada a temática do envelhecimento e garantia de direitos da população idosa. Em diálogo com o Dia D da Operação Virtude, esta edição do projeto também teve como foco debater questões relacionadas à violência contra a pessoa idosa, reunindo profissionais de diferentes áreas para discutir o tema de forma interdisciplinar.
A enfermeira e doutora em saúde pública, Fabiana Martins Dias, abordou a violência contra a pessoa idosa como uma grave violação de direitos humanos e um desafio que exige atenção integrada das áreas de segurança pública, saúde e assistência social. Em sua palestra, ela destacou a importância do Estatuto da Pessoa Idosa como marco na proteção desse público e evidenciou que o envelhecimento da população brasileira torna ainda mais necessária a discussão sobre mecanismos de prevenção e enfrentamento das diversas formas de violência.

O representante da PCMG, investigador Vaninho Teodoro dos Santos, apresentou um panorama de atuação da Delegacia Especializada de Atendimento à Pessoa com Deficiência e ao Idoso (DEADI) e compartilhou dados que evidenciam a demanda crescente por proteção e atendimento especializado. Segundo ele, somente no primeiro semestre de 2025 foram registrados 638 boletins de ocorrência, dos quais 569 foram confeccionados pela própria delegacia especializada. No mesmo período, foram solicitadas 258 medidas protetivas, além da tramitação de 2.154 inquéritos policiais eletrônicos relacionados a casos envolvendo pessoas idosas.

A defensora pública da Unidade de Santa Luzia e coordenadora da Câmara de Estudos de Igualdade Étnico-Racial, de Gênero e de Diversidade Sexual, Bárbara Maria Martins Ribeiro, e o defensor público da Unidade de Ribeirão das Neves, Carlos Eduardo Santos Almeida, também integrante da Câmara, abordaram sobre o envelhecimento a partir da perspectiva dos marcadores sociais.
A defensora pública Bárbara Ribeiro falou sobre o tópico de os marcadores sociais estarem diretamente ligados as questões de vulnerabilidade de determinados grupos minoritários. “Essa questão da interseccionalidade é necessária para que os agentes tenham um olhar para o conjunto da pessoa e todas as violências que ela sofre por causa desses marcadores”, afirmou.

Ao discutir questões de opressão relacionadas as minorias e grupos vulnerabilizados, o defensor público Carlos Eduardo alertou para a importância de levar em consideração todo o contexto de vida do indivíduo. “Muitas vezes a velhice é sinalizada a partir de um padrão de gênero e diversidade sexual e, por isso, precisamos pensar que o envelhecimento e a velhice acontecem a partir de sujeitos diversos. Então, é necessário olhar para essas demandas de formas específicas para que possamos alcançar resultados efetivos para essas populações”, afirmou.

Também palestraram a assistente social e especialista em saúde mental, Carina Camargos, e a assistente social e especialista em gerontologia, Paula Chacon.



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