Notícias

Trabalho, autonomia e cidadania: educandos do Instituto Mano Down passam a atuar na Defensoria Pública 

Adesão ao Programa Talento Apoiado possibilita a contratação de cinco educandos e reforça o compromisso da DPMG com a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho

A Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG) passou a integrar o Programa Talento Apoiado, iniciativa desenvolvida pelo Instituto Mano Down para promover a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. A parceria possibilitou a contratação de cinco educandos, que agora atuam em diferentes setores da Instituição, em uma experiência que une oportunidade profissional, autonomia e convivência transformadora. 

Mais do que abrir vagas, a iniciativa materializa, no cotidiano institucional, a vocação da Defensoria para a promoção de direitos, da cidadania e da igualdade de oportunidades. Ao acolher os novos profissionais, a DPMG reafirma que inclusão é prática concreta: acontece no encontro, no aprendizado mútuo e na construção de ambientes de trabalho mais diversos, humanos e colaborativos. 

Oportunidade com acompanhamento 

O Programa Talento Apoiado oferece suporte contínuo para a inserção profissional de pessoas com deficiência, respeitando as habilidades, os interesses e o ritmo de cada participante. Na Defensoria, os educandos desenvolvem atividades compatíveis com suas aptidões, contam com acompanhamento técnico e recebem o apoio das equipes dos setores onde estão inseridos. 

Primeiros passos, novos pertencimentos 

Para a jornalista Letícia Gaspar, educanda que atua na Assessoria de Comunicação da DPMG, a chegada ao novo ambiente veio acompanhada de expectativa e insegurança. Ela conta que, no início, sentiu receio por não saber exatamente quais atividades exerceria e se seria bem recebida. Aos poucos, porém, o medo deu lugar ao sentimento de pertencimento. 

“A oportunidade de trabalho na Defensoria representa uma inclusão, ainda mais com pessoas da mesma área que eu. Fazer parte de uma instituição pública como a Defensoria me faz sentir honrada, pois ela é uma instituição a favor das pessoas com deficiência”, afirma Letícia. Em seu primeiro emprego como jornalista, ela destaca a autonomia conquistada no espaço de trabalho e a possibilidade de aprender diariamente com a equipe. 

Letícia Gaspar, educanda que atua na ASCOM da DPMG — Fotos: Bryan Carvalho/DPMG

No Centro de Mediação e Conciliação, Matheus Gabriel Lima Alves Moreira também vivencia a parceria como uma oportunidade de crescimento. Em seu segundo emprego, ele atua na recepção, auxilia na elaboração de cartas e no registro de resultados em planilhas. Para ele, a Defensoria trouxe novos aprendizados, especialmente sobre o universo jurídico. 

“As pessoas aqui são muito atenciosas, elas me ensinam, perguntam se eu aprendi e continuam a me ensinar. Sinto orgulho de ter sido escolhido para estar aqui”, relata Matheus. Ao falar sobre inclusão, ele resume a dimensão social da iniciativa: “Inclusão para mim é um marco na sociedade, que abre oportunidades para as pessoas que não têm tanta facilidade de conseguir um emprego”. 

Aprendizado que transforma equipes 

A presença dos educandos também tem produzido efeitos importantes nas equipes que os recebem. A defensora pública Elisa Schroeder, coordenadora estadual dos Centros de Conciliação e Mediação da DPMG, acompanhou a chegada de Matheus e avalia a experiência como muito positiva. Para ela, a inclusão no serviço público amplia perspectivas, fortalece a atuação em rede e convida todos a olhar o trabalho por novos ângulos. 

“A chegada dele foi muito positiva, uma energia boa. Da mesma maneira que ele aprende, a gente também recebe. É uma perspectiva que nos faz olhar de uma maneira diferente”, afirma Elisa Schroeder. Segundo ela, a equipe acolheu Matheus com disponibilidade para orientar e aprender junto. “Inclusão para mim é estarmos todos próximos, juntos, sem nenhum tipo de barreira, entendendo as diferenças e sabendo lidar com elas de forma fluida e respeitosa”, afirmou. 

Matheus Gabriel Lima, educando que atua no CCM da DPMG junto da coordenadora, defensora pública Elisa Schroeder — Foto: Kelly Guidotti/DPMG

Autonomia, rotina e convivência 

Na Escola Superior da Defensoria Pública (Esdep), Gabriela Lopes Bastos encontrou na DPMG uma nova rotina, novas relações e a experiência do primeiro emprego. Ela conta que não tinha expectativa de contratação e que o trabalho na Instituição transformou sua vida. “Minha vida mudou quando eu comecei a trabalhar aqui e minha rotina também. Está sendo bem legal e divertido. Fiz novas amizades e estou tendo vários trabalhos incríveis”, relata. 

Gabriela afirma se sentir bem no ambiente institucional e destaca o convívio com as pessoas como parte essencial da experiência. “Ter conseguido esse trabalho foi uma maravilha. Me sinto muito bem e feliz por estar aqui. Eu interajo com todos”, diz. Seu depoimento revela uma das dimensões mais potentes do Programa Emprego Apoiado: a construção do pertencimento. 

Gabriela Lopes, educanda que atua na Escola Superior da DPMG

Inclusão na prática 

Ao aderir ao Programa Talento Apoiado, a DPMG transforma em prática institucional aquilo que orienta sua missão constitucional: a defesa de direitos e a promoção da dignidade, especialmente de pessoas em situação de vulnerabilidade. A inclusão de pessoas com deficiência no ambiente de trabalho reforça o entendimento de que cidadania também se constrói pelo acesso ao trabalho, pela autonomia e pelo reconhecimento das potencialidades de cada pessoa. 

A parceria com o Instituto Mano Down mostra que a diversidade não é apenas um valor a ser defendido, mas uma experiência a ser vivida. Nos setores da Defensoria, os educandos encontram espaço para desenvolver habilidades, ampliar horizontes e fortalecer a autoestima; as equipes, por sua vez, descobrem novas formas de convivência, cooperação e aprendizagem. 

Essa troca cotidiana fortalece o ambiente institucional e evidencia que a inclusão beneficia a todos. Para quem chega, representa trabalho, autonomia, autoestima e pertencimento. Para a Defensoria, representa coerência entre discurso e prática, reafirmando seu papel como agente de transformação social para além da atuação jurídica. 

Para o coordenador estratégico de Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa e da Pessoa com Deficiência da DPMG, defensor público Luis Renato Braga Arêas Pinheiro, a iniciativa expressa, de forma concreta, o papel da Defensoria na efetivação de direitos e na construção de uma sociedade mais inclusiva. 

“A inclusão de pessoas com deficiência na DPMG representa a concretização do direito constitucional ao trabalho para todas as pessoas. As pessoas com deficiência podem e devem ocupar todos os espaços na sociedade, seja no trabalho, na educação, no esporte, na cultura, no lazer. A Defensoria Pública, como instituição responsável pelo acesso à Justiça e a todos os direitos das pessoas com deficiência, conforme previsto no artigo 79 da Lei Brasileira de Inclusão, deve dar o exemplo para as demais instituições do Sistema de Justiça, incluindo com qualidade as pessoas com deficiência tanto em seu corpo funcional quanto em suas ações e serviços”, afirma. 

Coordenador da CEPIPED, defensor público Luís Renato Braga Arêas Pinheiro, no evento de lançamento da parceria entre Defensoria Pública e Instituto Mano Down

Ao projetar os próximos passos da parceria, Luis Renato destaca que a inclusão precisa ser vivida no cotidiano, por meio da convivência direta e do protagonismo das próprias pessoas com deficiência. 

“Espero, com esta parceria, que a inclusão ocorra na prática, por meio de exemplos concretos de convivência direta com as pessoas com deficiência, seja na interação com o público interno, servidores da DPMG, seja na interação com as pessoas que procuram nossos serviços. A inclusão necessita ser algo prático, experiencial, e não apenas um conceito que lemos ou ouvimos, sem vivência”, ressalta o coordenador. 

Para ele, a presença das pessoas com deficiência em todos os espaços sociais é condição indispensável para que a inclusão seja construída de forma efetiva e alinhada às necessidades apresentadas por elas mesmas. “Isto nada mais é do que a realização prática do princípio internacional ‘Nada sobre nós, sem nós’, trazido pela Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas e recepcionado no direito brasileiro com força de norma constitucional”, completa. 

A contratação dos cinco educandos aponta para a continuidade e a ampliação de políticas institucionais inclusivas no serviço público. Mais do que uma parceria, a adesão ao Programa Talento Apoiado afirma uma convicção: quando instituições públicas se abrem à diversidade, elas também se tornam mais humanas, mais democráticas e mais próximas da sociedade que têm o dever de servir. 

Paulo Henrique Lopes Gonçalves, educando que atua no Gabinete da DPMG junto com a servidora Silvana
Rafaela Lírio Nogueira, educanda que atua no setor de atendimento da DPMG

Referência em inclusão 

O Instituto Mano Down se destaca como um ecossistema de promoção de oportunidades e inclusão social. Organização sem fins lucrativos, atua para incentivar o desenvolvimento, a autonomia e a cidadania de pessoas com deficiência. Com base no princípio da igualdade de direitos, o trabalho da instituição busca ampliar a visibilidade dessas pessoas e fortalecer sua participação ativa na sociedade, enfrentando estigmas e preconceitos ainda presentes no cotidiano. 

A atuação do Instituto ganhou força a partir da dedicação de seus fundadores, que transformaram o projeto em referência na promoção da inclusão, especialmente no que diz respeito à inserção de pessoas com síndrome de Down no mercado de trabalho. Apesar dos desafios persistentes, a pauta tem conquistado espaço e relevância, evidenciando a necessidade de ampliar o debate público e as práticas concretas de inclusão. 

Nesse contexto, surgiu o Programa Talento Apoiado, que oferece suporte estruturado para que educandos possam ingressar no ambiente profissional de acordo com sua formação, suas habilidades e seus interesses. A proposta envolve acompanhamento especializado, com apoio de monitores e profissionais capacitados, contribuindo para ambientes de trabalho mais inclusivos, acolhedores e harmoniosos. A iniciativa reforça o protagonismo das pessoas com deficiência e evidencia seu potencial de participação plena na sociedade.

Evento de lançamento da parceria entre a Defensoria Pública e o Instituto Mano Down no projeto emprego apoiado, realizado na Unidade I da DPMG, em Belo Horizonte, no dia 18/3

Alessandra Amaral, Letícia Gaspar e Kelly Guidotti — ASCOM/DPMG
imprensa@defensoria.mg.def.br / (31) 3526-0510

Rua Bernado Guimarães, 2731 - 2º Andar | Bairro Santo Agostinho, Belo Horizonte, MG. | CEP 30140-085